segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um Lugar ao Sol (2009)



"O diretor pernambucano Gabriel Mascaro (atualmente em cartaz com o documentário Doméstica) entrevistou moradores de nove coberturas em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro para construir este mosaico de personagens que oscilam do normal ao grotesco no filme Um Lugar ao Sol, de 2009. Um deles, o empresário paulista Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, exibe toda a filosofia de vida de quem frequenta (sic) “os melhores hotéis, os melhores relógios, as melhores roupas” . “Me sinto muito mal quando vejo pobres que não têm um Jaguar, um Mercedes”, diz. O filho de uma madame carioca, espécie de futuro Chiquinho Scarpa sob efeito de LSD, resume o privilégio de se morar no alto: quem possui uma cobertura estaria mais próximo de Deus do que o restante dos mortais. “Aqui nós podemos falar com Deus mais facilmente”, concorda a mãe.
Percebe-se que o “estar acima” dos cidadãos comuns não é apenas uma figura de linguagem quando o jovem pernambucano –que ganhou o apartamento de presente dos pais mas não quer ser chamado de playboy– revela preferir a piscina da cobertura do que a praia lotada, suja e cheia de tubarões lá embaixo. Ou quando o casal do Rio de Janeiro se alegra ao contar como é bonito, visto do alto, os bandidos trocando tiros nos morros vizinhos. “É tudo colorido, parecem fogos de artifício”, narra a esposa, olhos brilhando. Perfeita simbologia dos “diferenciados” que fogem do convívio com os habitantes da vida real, o documentário de Mascaro causa risos nervosos no espectador –além de desprezo. Não percam."

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