domingo, 4 de agosto de 2013

O anjo da história



"Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso."

(Sobre o conceito da história - Walter Benjamin)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um Lugar ao Sol (2009)



"O diretor pernambucano Gabriel Mascaro (atualmente em cartaz com o documentário Doméstica) entrevistou moradores de nove coberturas em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro para construir este mosaico de personagens que oscilam do normal ao grotesco no filme Um Lugar ao Sol, de 2009. Um deles, o empresário paulista Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, exibe toda a filosofia de vida de quem frequenta (sic) “os melhores hotéis, os melhores relógios, as melhores roupas” . “Me sinto muito mal quando vejo pobres que não têm um Jaguar, um Mercedes”, diz. O filho de uma madame carioca, espécie de futuro Chiquinho Scarpa sob efeito de LSD, resume o privilégio de se morar no alto: quem possui uma cobertura estaria mais próximo de Deus do que o restante dos mortais. “Aqui nós podemos falar com Deus mais facilmente”, concorda a mãe.
Percebe-se que o “estar acima” dos cidadãos comuns não é apenas uma figura de linguagem quando o jovem pernambucano –que ganhou o apartamento de presente dos pais mas não quer ser chamado de playboy– revela preferir a piscina da cobertura do que a praia lotada, suja e cheia de tubarões lá embaixo. Ou quando o casal do Rio de Janeiro se alegra ao contar como é bonito, visto do alto, os bandidos trocando tiros nos morros vizinhos. “É tudo colorido, parecem fogos de artifício”, narra a esposa, olhos brilhando. Perfeita simbologia dos “diferenciados” que fogem do convívio com os habitantes da vida real, o documentário de Mascaro causa risos nervosos no espectador –além de desprezo. Não percam."

domingo, 9 de junho de 2013

Mulheres Invisíveis




Vídeo documentário produzido pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) abordando o tema das mulheres e o mercado de trabalho.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Contos da Resistência (série da TV Câmara)


Para marcar os 40 anos do golpe militar de 1964, a TV Câmara produziu a série Contos da Resistência, composta de quatro episódios. Cada um dos vídeos da série enfoca um aspecto da resistência à ditadura e como esses movimentos contribuíram para a construção da democracia que temos hoje no Brasil. As articulações em todos os segmentos da sociedade para se contrapor ao governo autoritário; as organizações sociais de estudantes, trabalhadores e religiosos para lutar pela democracia e esclarecer a população; a resistência política no Congresso; a crítica inteligente e criativa das artes e da imprensa; a repressão e a tortura a representantes desses grupos; o movimento social pelas eleições diretas em 1984:  todos estes temas estão na série, abordados a partir da perspectiva de quem viveu estes tipos de resistência. 




O primeiro episódio de Contos da Resistência retrata a atuação de estudantes e da Igreja contra a ditadura militar. Relatos emocionantes de presos políticos e vítimas do regime marcam o documentário.


  

O segundo episódio da série Contos da Resistência enfoca as relações políticas entre Congresso Nacional e governos militares. O objetivo da série de documentários é esclarecer fatos políticos dos 20 anos de ditadura militar, iniciada em março de 1964, explicar como se davam as ações de poder e dominação do governo central, e como o Congresso foi, ao mesmo tempo, núcleo de resistência e caixa de ressonância dos desejos dos militares daquela época. 


O terceiro episódio trata da resistência nas artes e na imprensa no período da ditadura militar que vai de 1968 a 1979. Este período foi marcado principalmente pelo anúncio do Ato Institucional nº 5, o AI-5. Com ele se decretou a censura prévia em jornais, revistas, emissoras de TV e também nos espetáculos culturais de música, teatro, entre outros.



O quarto episódio da série conta como operários e líderes sindicais da região do ABC Paulista resistiam à falta de liberdade e se organizavam por melhores salários e condições de vida. O programa mostra a trajetória dos metalúrgicos: da alienação política à campanha pelas eleições diretas em 1984 e como a batalha por melhores salários resultou na luta pela redemocratização do Brasil. Histórias dramáticas e curiosas de operários anônimos e líderes reconhecidos.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Medo ou preguiça? (Waking Life)

Existem dois tipos de sofredores: aqueles que sofrem de falta de vida e os que sofrem de abundância excessiva de vida. Eu sempre me posicionei na segunda categoria. Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo, ao nível do super-chimpanzé. Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano. O reino do verdadeiro espírito, o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado. Por que tão poucos? Por que a História e a evolução não são histórias de progresso, mas uma interminável e fútil adição de zeros? Nenhum valor maior se desenvolveu. Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje. Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal? O medo ou a preguiça?




quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quebrando o Tabu



O documentário traz de forma muito interessante o debate sobre drogas e criminalização, mostrando diferentes posturas pelo mundo e apresentando argumentos diversos pela descriminalização do uso. Só é uma pena que FHC não estivesse informado sobre a questão quando foi presidente, como ele diz, hehehe.