sábado, 17 de julho de 2010

E seu nome é Jonas (Richard Michaels, EUA, 1979)

O filme “E seu nome é Jonas” (EUA, 1979) retrata a história de uma família cujo filho mais velho, Jonas, é surdo, mas passou anos em um hospital devido a um diagnóstico errado de retardo mental. Sem contato eficiente anterior com linguagem, o menino sofre dificuldades de adaptação, o que o mantém quase que completamente alheio ao ambiente social em que se encontra. A mãe passa a levá-lo a uma escola para educação de surdos onde se utilizam métodos educativos que proíbem o uso de sinalização visando evitar que o aluno torne-se “preguiçoso” para falar e ler lábios. O pressuposto desse modelo educacional é que, como o mundo se constitui de uma maioria ouvinte, os surdos devem se adaptar a esse mundo. Como Jonas é mais velho que as outras crianças e não teve nenhum treinamento anterior, seu aprendizado é muito lento e quase ineficiente, gerando grande frustração na mãe. A família começa a ter problemas de relacionamento, e inclusive o pai vai embora de casa por não conseguir aceitar Jonas. Porém, a mãe de Jonas é incansável em sua luta para ajudar o menino a se adaptar e aprender a se comunicar, e resolve se utilizar de todo e qualquer método educativo disponível para que Jonas consiga fazê-lo. Conversando com outra mãe que conhece na escola para surdos que Jonas freqüenta ela descobre que existem outros métodos pedagógicos para ensino de surdos e que a proibição de sinais não é um consenso. Além disso, ela conhece, também na escola, uma família que se comunica por sinais, pois pai e filho são surdos. Ao conversar com essa família, cuja mãe era ouvinte, a mãe de Jonas toma conhecimento de outras possibilidades de ensino e convivência com surdos, descobrindo inclusive que existia um clube de surdos onde ela poderia conhecer mais pessoas surdas e Jonas poderia realizar novas formas de comunicação. Apesar da resistência da diretora da escola que Jonas freqüentava, a mãe decide tentar utilizar métodos educativos que se valham da linguagem de sinais, o que se mostra muitíssimo eficiente. Junto com Jonas, sua mãe e seu irmão vão aprendendo também a utilizar linguagem de sinais, compartilhando assim uma nova descoberta de mundo e momentos novos de trocas comunicativas e afetivas.

O filme leva a perceber coisas importantes sobre a surdez, como a dificuldade de definir uma comunidade surda (ao contrário da maioria das comunidades lingüísticas, surdos não se encontram juntos em um espaço geográfico definido) e a conseqüente importância da escola e da criação de espaços comunitários, como o clube supracitado, nesse processo de construção identitária de grupo; a ausência de uma “identidade surda” unitária (a mãe da família em que pai e filho são surdos diz à mãe de Jonas que no clube ela conhecerá pessoas muito diferentes, pois há surdos com quaisquer outras características e o ser surdo é apenas UM traço identitário que constitui o indivíduo); e a resistência que existe em entender que o surdo não precisa ser visto como alguém deficiente, mas pode ser encarado como um sujeito que utiliza outra forma de comunicação e pertence à outra comunidade lingüística. Além disso, o filme traça um panorama sobre as posturas pedagógicas concernentes ao surdo, deixando entrever as dificuldades das línguas de sinais serem aceitas como tal, e não como mera mímica.

Um comentário:

Guilherme disse...

Oi Mariana.
Muito legal essa sugestão de filme, quando eu li eu pensei direto na minha irmã que trabalha com educação de surdos.
Eu procurei no repositório cultural e não encontrei esse filme. Sabe onde posso consegui-lo?