terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Guy Debord

"Foi uma sociedade específca e não uma tecnologia específca que fez o cinema tal como é. Em vez disso, podia ter sido análise histórica, teoria, ensaio, memórias. Podia ter consistido de flmes como o que faço neste momento." Guy Debord (in girum imus nocte et consumimur igni)

Guy Debord (1931 - 1994) foi um grande pensador francês, cujos textos foram a base das manifestações de Maio de 1968, sendo também uma das grandes figuras da Internacional Situacionista. Debord é um intelectual marxista cujas críticas estão centradas na questão do espetáculo, tanto no sentido de mercado na sociedade capitalista quanto no sentido de Estado no chamado socialismo real (lembremo-nos do contexto de Guerra Fria e da decepção da esquerda mundial com os rumos da Revolução Russa nas mãos do regime stalinista). O ponto central de sua teoria é que a alienação é conseqüência do modo capitalista de organização social, que assume novas formas e que, na modernidade, leva o espetáculo a constituir-se como forma de luta de classes, onde a burguesia domina os outros membros da sociedade.

O cinema ocupa um lugar central na crítica que Guy Debord faz às formas de representação e ao papel social das imagens. Para tanto, Debord desenvolveu uma espécie de anti cinema, onde questiona os parâmetros do cinema como o conhecemos. Os filmes do pensador francês são exatamente o oposto do que esperamos do cinema: pouca ação e movimento (por vezes, nada), exposições complexas e longas através de monólogos, montagens de imagens (fotografias, publicidade, jornais) com músicas que servem de contraponto lírico.



Os filmes de Guy Debord se tornam, freqüentemente, de difícil compreensão, principalmente por estarmos acostumados justamente ao cinema que o pensador critica de forma mordaz e pretende destruir, o do "espetáculo". Porém, sem dúvida, vale a pena.

Alguns dos filmes e livros de Guy Debord estão disponíveis para download no site Repertório Cultural.

4 comentários:

linhasdefuga.com disse...

muito bom post, o conceito dele é bem interessante como forma de resistência, pelo discurso combativo a estética dominante do cinema, porém como você mesmo disse , é de difícil compreensão.

acho que no momento atual das lutas temos que nos reapropriar do discurso fácil do cinema, e usar esta arma a nosso favor.

Claro que isso não desmerece a obra de Debord, a idéia não é combater a obra dele, pois sei que a obra dele alcançará muitas pessoas mas sim usarmos todas as ferramentas possíveis a nossa mão.

Mariana Klafke disse...

Concordo plenamente contigo, linhasdefuga; temos mesmo de nos reapropriarmos do discurso fácil de cinema. Não podemos permitir que certos instrumentos nos sejam roubados por serem usados para outros fins. E também concordo que isso não desmerece a obra de Debord, que, afinal, serve para outros momentos.

Obrigada pelo comentário!

Marcos Vinicius Gomes disse...

Guy chora sobre o leite derramado...Reapropriar-se do quê? Não foram os próprios inventores do cinema que afirmaram ser sua invenção algo nada prático?

Mariana Klafke disse...

Acho que não entendeste do que estávamos falando, Marcos Vinicius... Não estávamos falando como cineastas, e sim como pessoas interessadas em cultura que acham que não é só Debord que pode ser interessante e construtivo, e sim outras linguagens mais simples e acessíveis, mas que foram "tomadas" pela grande mídia para coisas estúpidas e, daí em diante, geram preconceitos em algumas pessoas.